Professor! Você por aqui?!


Professor! Você por aqui?!
 Ao entrar na sala, de pronto surge o comitê de recepção com as clássicas perguntas:
- Mais professor você veio hoje?
- Por que você não ficou em casa professor?
Juro que o mínimo que me dá é uma vontade louca de voltar desesperadamente correndo para casa.
Respiro fundo, ignoro-os, e permaneço calado, vejo que não entendem que faço um esforço sobrenatural para não ter que bancar o seu saraiva.  Enquanto tento me acalmar, faço a seguinte prece: Pai perdoe-lhes, pois eles não sabem perguntar.
Como de costume, acomodo lentamente meus livros sobre a mesa; que não é exatamente o que se possa chamar de mesa, nem mesmo é a minha mesa, eu adoraria ter uma.
A baderna se instaura, até parece que só estavam esperando por mim. Quase a ponto de explodir, sento e continuo calado, ora cabisbaixo, ora contemplando a face de alguns (bons alunos) que me olham e esperam aflitos que eu tome alguma enérgica atitude. Não o faço; e isso os incomoda.
- Professor! Manda esses meninos calar a boca!
- E aí professor!?
Também os ignoro. E agora que alguém manifestou sua indignação, torço para que eles percebam o erro que estão cometendo, se aquietem e me deixem trabalhar; não percebem, e muito menos se aquietam. Muito pelo contrário, os ânimos se exaltam, e agora a sala se divide em “bons e maus alunos”.
A discussão está acirrada, ouço os gritos de alguém.
- Seu bando de mal educados! O professor vem pra dá aula e vocês ficam aí fazendo bagunça.
Ergo a cabeça, e enquanto estou ali, pergunto a mim mesmo, “onde foi que eu errei?" 

                                                                                       Wilsomar dos Santos